“O Brasil está ensinando ou apenas escolarizando?”

“O Brasil está ensinando ou apenas escolarizando?”

VII Congresso Internacional “Um Novo Tempo na Educação”, promovido pelo Instituto Casagrande, em Curitiba, entre os dias 10 e 12 de junho, discute os desafios da aprendizagem real

O Brasil ampliou o acesso à escola nas últimas décadas, mas especialistas alertam que um dos maiores desafios da educação contemporânea já não é mais colocar crianças e jovens dentro das salas de aula, mas sim garantir que eles realmente aprendam. Em meio a discussões sobre alfabetização deficiente, impactos pós-pandemia, evasão escolar, excesso de telas, inteligência artificial e crise de saúde emocional entre estudantes e professores, Curitiba recebe, entre os dias 10 e 12 de junho, um dos principais encontros educacionais do país: o VII Congresso Internacional “Um Novo Tempo na Educação”, promovido pelo Instituto Casagrande.

O evento reunirá gestores públicos, pesquisadores, prefeitos, secretários municipais de educação, especialistas, professores e instituições de ensino de diferentes regiões do Brasil em uma programação voltada à aprendizagem, inovação pedagógica, neuroeducação, inclusão, gestão pública e transformação social por meio da educação.

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Saiba mais sobre o evento que está revolucionando o debate sobre aprendizagem no Brasil.

Confira o Congresso

Mais do que discutir tendências pedagógicas, o congresso propõe uma reflexão profunda sobre o papel da escola em uma sociedade marcada por mudanças aceleradas, hiperconectividade e novos desafios sociais e emocionais. A provocação central é direta: o sistema educacional brasileiro está formando cidadãos preparados para compreender, pensar criticamente e transformar a realidade ou apenas mantendo estudantes escolarizados sem aprendizagem efetiva?

“Durante muitos anos o Brasil travou uma luta importante pela democratização do acesso à escola, mas agora precisamos enfrentar uma nova urgência: garantir que a aprendizagem aconteça de forma real, significativa e com qualidade. Não basta apenas ocupar carteiras. A educação precisa desenvolver pensamento crítico, autonomia, humanidade e capacidade de transformação social”, afirma Ronaldo Casagrande, vice-presidente do Instituto Casagrande.

A discussão ganha força em um momento em que dados educacionais seguem acendendo alertas no país. Avaliações nacionais recentes apontam dificuldades crescentes em leitura, interpretação de texto e matemática, especialmente entre estudantes impactados pelo período pós-pandemia. Paralelamente, cresce entre especialistas a preocupação com os efeitos das tecnologias digitais sobre atenção, concentração e desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes.

Esse cenário estará no centro dos debates do congresso, que terá como um dos destaques o “Diálogo Nacional”, painel sobre os rumos da aprendizagem no Brasil e o futuro do Plano Nacional de Educação. A discussão contará com a participação do ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, uma das principais referências nacionais em políticas educacionais e desenvolvimento humano.

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Outro nome confirmado é o escritor e jornalista Fabrício Carpinejar, que abordará temas ligados à educação emocional, relações humanas, escuta e comportamento, assuntos que passaram a ocupar espaço central nas escolas brasileiras diante do aumento dos índices de ansiedade, adoecimento emocional e dificuldades de convivência no ambiente escolar.

Para Ronaldo Casagrande, discutir aprendizagem atualmente exige compreender que educação não pode mais ser reduzida apenas à transmissão de conteúdo.

“A escola do futuro não pode estar baseada apenas em desempenho e repetição. Precisamos falar sobre pertencimento, vínculo, criatividade, convivência e propósito. A aprendizagem acontece quando o estudante consegue estabelecer sentido naquilo que vive e aprende”, destaca.

A programação também dará atenção especial à inteligência artificial aplicada à educação, tema que vem transformando o cotidiano de escolas e universidades em todo o mundo. Ronaldo Casagrande, que pesquisa os impactos da IA no ambiente educacional e participa de discussões nacionais sobre tecnologia e aprendizagem, defende que o avanço das ferramentas digitais exige uma mudança profunda na forma como o ensino é pensado.

“A inteligência artificial não elimina a importância do professor. Pelo contrário. Ela reforça ainda mais o valor da mediação humana, da escuta, da ética e da capacidade de desenvolver pensamento crítico. O maior desafio da educação não é competir com a tecnologia, mas ensinar as pessoas a utilizá-la com consciência e humanidade”, afirma.

Além das plenárias e painéis, o congresso aposta em experiências imersivas que ampliam o conceito tradicional de aprendizagem. Uma das atrações mais aguardadas é a “Travessia de Sentidos”, atividade que utiliza cultura, território, memória e contemplação como ferramentas pedagógicas em uma experiência de trem entre Curitiba e Morretes pela Serra do Mar paranaense.

Outra proposta da programação é o roteiro “Curitiba como Sala de Aula”, experiência urbana que utiliza espaços culturais, arquitetônicos e públicos da capital paranaense como instrumentos de reflexão sobre cidadania, planejamento urbano e educação fora dos ambientes convencionais.

A diversidade e a educação antirracista também integram o evento, com apresentações culturais e debates ligados à valorização da cultura afro-brasileira e da ancestralidade como elementos fundamentais da construção educacional contemporânea.

Segundo Ronaldo Casagrande, um dos principais objetivos do congresso é justamente aproximar diferentes setores da sociedade em torno de um debate que impacta diretamente o futuro do país.

“A educação brasileira precisa deixar de ser discutida apenas dentro das escolas. Esse é um tema que envolve desenvolvimento econômico, cidadania, democracia, saúde emocional, inovação e justiça social. Quando reunimos professores, gestores públicos, pesquisadores e instituições em um mesmo ambiente, criamos um ecossistema capaz de gerar transformação concreta”, afirma.

Para os organizadores, o congresso surge justamente em um momento em que o país precisa redefinir prioridades e compreender que o futuro da educação brasileira passa necessariamente pela capacidade de transformar escolarização em aprendizagem efetiva.

“O grande debate do nosso tempo não é apenas quantas crianças estão na escola, mas o que elas estão aprendendo, como estão aprendendo e se essa educação está sendo capaz de prepará-las para viver, pensar, conviver e transformar o mundo”, conclui Ronaldo Casagrande.

Mais informações e programação completa podem ser acessadas em: www.congressonovotempo.com.br.

Sobre o Instituto Casagrande

O Instituto Casagrande é uma instituição brasileira dedicada à formação continuada de educadores, ao desenvolvimento de lideranças educacionais e à construção de soluções para redes públicas e privadas de ensino. Com quase duas décadas de atuação, reúne uma das maiores comunidades de educadores do Brasil, com mais de 1 milhão de profissionais impactados por formações, eventos, cursos e programas. Sua atuação integra conhecimento técnico, produção autoral, presença digital, eventos de grande alcance e projetos customizados para diferentes realidades educacionais

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